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Peluches transgénicos

por A Mona Lisa tinha Gases, em 27.08.07

Desde que, há uns anos, uns serventes de obra se lembraram de começar a dizer que as gajas eram boas como o milho que não se ouvia falar tanto no dito cujo.

Anda tudo em pé de guerra por causa da destruição de uma plantação de milho transgénico, por um grupo de caras tapadas que , como toda a gente sabe, são os tipos mais corajosos deste nosso mundo. Porque faz mal e tal. O que mais me desilude é que desconfio que grande parte deles nem saberá exactamente porque é que são contra os transgénicos. 

Mas o que é exactamente um transgénico? É um organismo, no caso uma planta, que contém genes de um outro organismo no seu código genético. Ainda que este processo possa ocorrer de forma natural, o milho em questão foi alterado por mão humana.

Há uns anos atrás, quando se conseguiu, pela primeira vez, criar um transgénico, um mundo de possibilidades abriu-se diante dos olhos dos cientistas. A mais idílica seria o fim da fome mundial. Isto porque ao inserirmos certos genes num organismo, alteram-se as suas características, sejam elas capacidade de resistência a pragas, alteração das necessidades hídricas, tamanho. Basicamente, a capacidade do cultivo subiu em flecha, bem como as suas hipóteses de sucesso.

Mas então o que é que levou os rapazinhos a atacarem, sem dó nem piedade, a plantação de milho do homem?

Parece que os transgénicos podem ter implicações negativas na saúde dos consumidores. Dizem que podem levar a problemas renais e hepáticos, que o consumo de algumas variedades pode revelar-se tóxica. Muito se tem estudado a questão, muitos testes têm sido feitos, mas a verdade é que até agora, nada de conclusivo saiu daí. Neste momento, tirando algumas situações pontuais, não há evidência de que estes alimentos façam mal. Assim como não há uma prova clara que não o façam.

O meu objectivo não é defender ou não, os transgénicos. É condenar a atitudes dos betinhos de cara tapada.

Na guerra de argumentos que se seguiu à chacina do milho, os ambientalistas vieram dizer que ofereceram ao agricultor a possibilidade de plantar milho "normal", fornecendo-lhe as sementes. Após a recusa, bora lá destruir. Desculpem, mas não é assim que se faz. A partir do momento em que os nossos princípios levam à vandalização ou destruição de propriedade alheia estamos a revelar-nos pior do que aquilo que queremos combater.

Tenho uma teoria sobre estes "pseudo-defensores do bem". Devem ter sido ou crianças muito pouco levadas em conta ou crianças muito mimadas. Porque destruir o trabalho de uma pessoa, sem olhar a meios ou consequências e sem qualquer tipo de respeito pelo esforço individual, é um pedido de atenção, por demais, óbvio. Revela muita revolta interior e muito conflito mal resolvido.

Acho que o passo mais óbvio para evitar este tipo de situações é a criação do ursinho de peluche transgénico. Parte adorável brinquedo de criança, parte instrutor das forças armadas. Para incutir um pouco de respeito e sentido de responsabilidade no futuro revoltado. E já agora, parte Gandhi , para ensinar que, às vezes, o mais eficaz é mesmo a não agressão.

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publicado às 04:04



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