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De ratos e de homens

por A Mona Lisa tinha Gases, em 04.02.13

Eu e os bichos, eu sei.

Sempre tive um soft spot por animais, admito.

Há uns anos atrás, ainda morava na casa dos meus pais, comecei a dar comida a uma gata que aparecia por lá. Muito arisca, não se deixava tocar.

Passado alguns dias, porque os animais reconhecem de imediato quem lhes quer bem, começou a aparecer regularmente.

Era um passo arriscado, tendo em conta que o meu pai detestava gatos. Com uma convicção similar àquela que vemos nos políticos que defendem uma causa. Mas o meu pai não tinha interesses monetários ou de visibilidade pública em vista. Provavelmente tinha alguma história mal resolvida com um gato. Tenho cá para mim que as pessoas que não gostam de/confiam em gatos nunca os tiveram como animais de estimação. Dito e feito, passado algumas semanas, a Maria era a melhor amiga animal do meu pai. A ironia!

A Maria continuou a frequentar o jardim da moradia dos meus pais. E aos poucos, foi-se tornando parte da família.

Depois, um dia, a Maria ficou grávida. E do seu corpo franzino surgiram cinco criaturas minúsculas e encantadoras. Confesso que tive de pegar num deles e tirar fotos. Por ironia do destino (outra), foi o único que sobreviveu depois de algumas lutas com machos impacientes inerentes a gatos que passam a maior parte do seu tempo ao ar livre. 

Meses depois, o Quinzinho fez um amigo, o gato baby dos vizinhos da rua de baixo. Eram a delícia do meu pai (!) aqueles dois. 

Mas como no mundo real nenhum história parece ter um final feliz, poucos meses depois, o meu pai foi encontrar o Quinzinho e o amigo tomados por convulsões e gritos lancinantes, claramente envenenados. Não durou muito tempo, a provação. Mas deixou marcas. Era evidente que alguém no bairro, possivelmente na rua, andava a deixar veneno espalhado ou andava a envenenar deliberadamente os gatos.

Os nossos olhos e as nossas mentes voltam-se em todas as direções. Quem poderia fazer algo tão macabro de propósito? Seria de propósito?

Mas o tempo passou. A vida normalizou, até a Maria voltou ao normal, depois de alguns meses apática após ter perdido o filho.

Até ontem.

O meu pai foi encontrar a Maria no mesmo estado que antes tinha encontrado o filho dela.

Mas a Maria é maior, é um gato saudável e grande e não morreu de imediato.

O meu pai apressou-se a levá-la ao hospital veterinário da zona. Fui lá vê-la ontem.

Estava sedada, pouco responsiva e a veterinária avisou-nos de que, se sobrevivesse, haveria a possibilidade da ocorrência de danos cerebrais. O meu pai deixou lá 260 euros até agora, porque toda a gente sabe que os cuidados veterinários são tudo menos baratos, principalmente quando se leva um animal que tem de ser submetido a todos os antídotos possíveis por não se saber qual o veneno utilizado.

Neste caso, há uma variável que não existia antes. A Maria vomitou. Ração, que é o que nós lhe damos, e bacalhau, que possivelmente foi o veículo para o veneno. Isto não foi um acidente. Foi premeditado. Foram-se as dúvidas sobre a causa da morte do Quinzinho...

E agora é esperar.

Estou tentada a ir à polícia, mas o que é que eles podem fazer? A gata anda solta, salta muros, passeia pelos quintais da vizinhança. Vão montar postos de vigilância em todos os jardins do bairro?

É o que me chateia mais. Saber que há alguém tão perturbado por perto e que é quase impossível apanhá-lo. 

Corrói-me as entranhas!

 

 

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publicado às 08:30




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Ninguém percebe o Leonardo. A Mona Lisa nao estava a sorrir, estava com gases. É o primeiro registo de arte escatológica.

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