Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


De Beirute, com amor...

por A Mona Lisa tinha Gases, em 18.01.20

Deixem-me ser muito clara e directa: o que se está a passar hoje em Beirute, neste preciso momento em que vos escrevo, é uma batalha campal, uma guerra civil sem munição real.

Tive oportunidade de assistir ao vivo ao nascimento desta revolução pacífica, de união das pessoas nas ruas, de cordões humanos para mostrar descontentamento e esperança numa vida melhor.

Foi há mais de três meses, e de lá para cá, podemos dizer que nada melhorou e que a componente pacífica há muito que se evaporou.

Desde há umas semanas para cá (com um período de acalmia durante as festas), o nível de violência tem vindo a aumentar. As diferentes facções apontam dedos umas para as outras, para os supostos autores da violência. Neste momento isso já nem é importante, na verdade.

Esta última semana, que os protestantes decidiram nomear "A semana da raiva", tem visto uma escalada de ânimos como nunca até agora. O governo estaria, segundo os relatos, à beira de ser constituído, pondo cobro a um vazio de poder que dura há quase três meses. À última hora, novos obstáculos surgiram que impossibilitaram esse resultado.

Hoje começou cedo. Às três da tarde já os protestantes atiravam pedras, barreiras metálicas, o que houvesse à mão, contra as forças de segurança. Às quatro já se viam canhões de água e o ar já estava preenchido pelo fumo dos muitos caixotes e pneus incendiados, do gás lacrimogéneo. As ruas enchem-se de sangue, há feridos de ambos os lados. Não há um multibanco que não tenha sido vandalizado na zona de Hamra e a Downtown é o palco habitual de todos os confrontos. Agora derramou para Gemmayzhe, onde vivo. É a primeira vez que isso acontece com este nível de violência desde que vivo na cidade.

Por volta das sete e meia lembrei-me que seria melhor ir tentar levantar dinheiro à caixa que fica mesmo em frente à minha casa. As minhas únicas janelas dão para o pátio interior do complexo, pelo que não estava preparada para o cenário, embora o tenha visto todos os dias desta semana pela televisão. O multibanco já não estava utilizável, os caixotes do lixo estavam todos a arder e os sacos tinham sido atirados pela rua. Os carros passavam com os sacos presos por baixo das rodas, o ar quase irrespirável. Aproximavam-se os estrondos, que neste contexto específico são os disparos de gás lacrimogéneo, o fogo de artifício que os manifestantes atiram contra as forças de segurança e as balas de borracha. Pelo que tenho testemunhado da gestão do "conflito" quando chegamos às balas de borracha, a situação está descontrolada.

Entretanto a rua começa a ser invadida por militares que me perguntam o que estou ali a fazer e me mandam meter dentro de casa. Não é altura para discutir, principalmente com pessoas que têm sido atingidas com barreiras metálicas nos capacetes. Não é que eu tivesse muito inclinada para ir dar uma volta, confesso, mas estava meio hipnotizada pelo derrame de violência que se encaminhava a passos lentos na minha direcção, com a segurança de saber que a porta do edifício estava a menos de um metro de mim.

Antes de me abrirem a porta ainda vi alguém a tentar argumentar e a ser "metido no lugar" por um militar mais rigoroso. Decido que "that's enough for today".

Despeço-me do segurança e peço-lhe que tenha cuidado. Quando vou a entrar aparecem dois estafetas para entregar comida. Em Beirute a vida continua, apesar do caos. E essa é a razão porque, três meses depois, as pessoas continuam a ir trabalhar todos os dias (apesar das interrupções de estradas dos tempos iniciais que o impediam) e continuam a viver a sua vida, como se nada se passasse, mas ao mesmo tempo com a perfeita noção do que se está a passar. É uma resiliência como raramente temos oportunidade de testemunhar.

Neste momento as pequenas explosões são mais frequentes, pelo que não me parece que volte a sair do apartamento.

A questão agora é perceber durante quanto mais tempo é que Beirute terá capacidade de renascer das cinzas dos incêndios das noites que vão passando.

A fénix terá um limite. Esperemos que amanhã não seja a véspera desse dia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:10

A Mona Lisa tinha arsenal nuclear

por A Mona Lisa tinha Gases, em 26.08.19

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, uma imagem acompanhada de palavras certeiras vale mais do que mil análises:

trumpAlert.jpg

 

Este homem é muito isto, não é? Não é só o tipo que nega o aquecimento global, que faz piadinhas com a dignidade das mulheres e que é cor-de-laranja. É o tipo que acha que pode atacar furacões com bombas nucleares, qual Dom Quixote com os moinhos de vento.

O chato é que esta metáfora, a estamos a viver aqui, fora da fantasia dos livros.

Mais do que nunca, a realidade é mais estranha que a ficção.

 

Notícia completa em Visão.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:02

Vira lá a outra face

por A Mona Lisa tinha Gases, em 24.10.17

Que sorte temos nós em viver no burgo mais badalado do momento.

É turistas por todo o lado, é a crise afastada (?), é capas de jornais e revistas de lifestyle com as nossas cidades, um pouco por todo o mundo.

Venham para o Algarve, descubram a cosmopolita Lisboa, deslumbrem-se com o romântico Porto ou deambulem no bucolismo do Alentejo.

O que é que pode arruinar a nossa inabalável confiança no futuro, o que pode afastar-nos da contemplação do belo?

Que tal um juiz da relação do Porto (a tal cidade tão romântica à qual os turistas começam a acorrer como se estivessem a dar doces), decidir manter a pena suspensa a um tipo que agrediu a esposa com uma moca de pregos porque, e acreditem que se quisesse inventar não conseguia ser tão criativa, já dizia a Bíblia que uma mulher adúltera deve ser punida com pena de morte.

Pelo que há que desculpar o senhor. Ele estava só a ser um bom católico, seja lá o que isto for, a reagir ao calor dos sentimentos de cornudo. A seguir vai haver a formação de um túnel de barrigudos, através do qual a senhora terá de passar, enquanto lhe atiram cuspidelas, impropérios e outros mimos à escolha. Nada de objectos cortantes, que não somos nenhuns selvagens.

O Conselho Superior da Magistratura decidiu não se meter. Para quê, não é? A decisão soberana de um juiz, assente na obra de ficção mais vendida da história, ia dar muita complicação. Mais um pouquinho e metiam-se direitos autorais, era um imbróglio para durar até ao fim dos tempos.

Além disso, toda a gente sabe que os homens são criaturas emocionais, incapazes de controlar os impulsos, a quem devemos perdoar pequenos «deslizes»... Devíamos agradecer, nós, mulheres, em nome daquela pobre coitada que não terá de ser delapidada em praça pública, porque vivemos no pináculo da civilização ocidental.

Agradeçamos, enquanto vemos passar os autocarros panorâmicos e os tuk-tuk repletos de cidadãos ignorantes ao que se passa. Ámen!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:30

O acessório

por A Mona Lisa tinha Gases, em 20.05.17

Foi uma semana de tumultos sentimentais.

Da morte da representação máxima da minha adolescência. 

Da morte da bondade.

Chris Cornell, o virtuoso do grunge, o vocalista masculino com uma das vozes mais poderosas da cena musical, o meu primeiro crush de adolescente. A sombra de um aparente suicídio pesa, levanta questões tenebrosas, faz-nos «pausar» no nosso dia.

De Gilberto Ferraz, com quem tive oportunidade de colaborar profissionalmente, ainda que de forma indirecta, podemos salientar o excelente profissional, o cidadão interventivo. Eu ressalto a sua imensa generosidade e capacidade de se dar, de fazer os outros sentirem-se especiais.

A mim, estes desaparecimentos recordam-me a importância de não nos ocuparmos com coisas que não nos façam felizes. De seguirmos os nossos sonhos, de uma forma ou outra. 

Esqueçamos o acessório

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:24

O meu busto é mais bonito que o teu!

por A Mona Lisa tinha Gases, em 29.03.17

Ronaldo e o busto na cerimónia de atribuição do seu nome ao Aeroporto da Madeira:

ronaldo.PNG

Messi: 

messi.PNG

«Não vejo diferença...»

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:02

Aquarius

por A Mona Lisa tinha Gases, em 14.07.15

 

aquarius

 

Creepy! Tão «na mosca». E eu que não acreditava em Astrologia... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:24

Vamos fazer amigos entre os animais

por A Mona Lisa tinha Gases, em 19.06.15

Estou mergulhada no mais profundo dos choques.

Esta noite, entrei no quarto para fazer qualquer coisa e fechei a porta atrás de mim para impedir as gatas de entrar.

Estava a mexer numa gaveta da cómoda quando um subtil movimento me chama a atenção para a superfície do móvel, a uns 20 centímetros do meu nariz.

Meus amigos, era uma barata!

Pior, não era uma daquelas baratinhas que vemos nos cafés menos... afortunados. Era um bisonte.

Dei um salto, que ficou congelado a meio com receio de afugentar o bicho. Eu não queria que fugisse, queria matá-la! Queria matá-la com fogo para me certificar que nunca mais voltasse. Por um segundo, não me importava de calcinar toda a divisão para acabar com a raça daquela... coisa. O mastodonte das baratas.

Mas por outro lado, não me fazia sentido nenhum. Nunca, mas nunca, apareceu tal bicho cá em casa. Osgas? Muitas, no terraço. Grilos? Ocasionalmente.  Perdizes? Uma vez, nunca percebi porquê... Mas baratas? Não podia ser, tinha de confirmar. Chamei o namorido que nunca curte muito estas missões mas que acaba por anuir sob pena de eu ter um ataque histérico. Não entendam mal, não costumo ter medo de bichos rastejantes. Se entra uma osga cá em casa, pego nela e meto-a na rua. Mas animais que voam, têm antenas enormes e são crocantes quando enfrentam o seu destino final fazem-me espécie. Dão-me vontade de mudar de planeta, pronto.

Resumindo, confirmou-se, era uma barata, já não vive entre nós e talvez eu vá dormir ao quarto hoje.

Intrigadíssima, recorri ao meu amigo Google. E encontrei isto:

Baratas gigantes!

Mer-da! Vou fazer como a lady do artigo, comprar todos os insecticidas do Pingo Doce. E no entretanto, as gatas têm livre acesso ao quarto. Estou-me a borrifar para o pelos e para o facto de elas gostarem de dormir em cima das minhas costas. Antes isso do que conviver com bichos pré-históricos maiores que o meu nariz!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:46

Dia 25: Saiu de casa e ainda não voltou

por A Mona Lisa tinha Gases, em 27.05.15

Estão a ver aquele mito do reembolso do IRS em 20 dias? Hilariante! Este ano, I think not!

Entreguei o meu IRS a 1 de Maio. Primeiro dia, para receber mais depressa.

Há dois dias, vejo uma notícia que dava conta de alterações no âmbito do IRS dos independentes.

O que aconteceu, meus caros, foi o seguinte:

O famigerado anexo SS (sugestivo, não?) era de entrega obrigatória para alguns contribuintes. Para outros, não. Um dos grupos que estava isento da entrega do SS era o dos trabalhadores independentes que acumulavam trabalho dependente. Que era o meu caso em 2014. 

No dia 7, os senhores das finanças lembram-se de alterar as regras a meio do jogo. Assim um bocadinho como estarmos a jogar à bisca e o 3 de paus passar a ser a carta mais alta. (Eu acho que nunca joguei à bisca, pelo que não sei bem se esta imagem procede... Mas estão a ver, não é?)

Acorri ao site dos senhores para perceber se estava abrangida ou não. E lá estava a minha declaração, entregue a dia 1, com a situação «declaração certa». DESDE DIA 1. Vinte e quatro dias depois ainda não tinha passado da primeira situação. Nice!

Apercebo-me que tenho que entregar o SS (não me canso de pensar na genial e adequada maldade que é este nome) e que isso implica entregar uma declaração de substituição.

Já lá vão dois dias e a situação da minha nova declaração é «Recepcionada - Aguarda Validação». WTF! E não, a minha indignação não se prende com a utilização da «palavra» Recepcionada. Querem assassinar o Português, by all means, vocês são só o Estado Soberano de um país onde o verbo receber é usado... Vá, umas milhares de vezes por minuto. O que me deixa ligeiramente alterada é o facto de, ao ritmo que isto vai este ano, não saber bem quando é que vou receber o meu reembolso. Será que quando finalmente me voltar a reunir com o meu dinheiro ele ainda me reconhece? Ainda vem a correr na minha direção para me lamber os dedos?

Ainda vou ter de pagar um raio de um psicólogo! Para que o meu dinheiro se lembre que esta é a sua casa.

Juro que lhes envio a conta! 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:41

Wow

por A Mona Lisa tinha Gases, em 23.03.15

Acabei de ver um anúncio da Jaguar na tv.

Nunca tinha visto um anúncio da Jaguar em toda a minha vida.

Claro que no estado em que anda o meu espaço livre de memória, toda a minha vida pode significar os últimos quinze dias...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:01

Governo penteado

por A Mona Lisa tinha Gases, em 21.03.15

O João Miguel Tavares abandonou o seu cabelo à menino bem, nesta semana do painel do Governo Sombra.

Para mim foi um alívio.

Por um lado, não estou sempre à espera que ele tenha uma tirada à Chuck Bass.

Por outro, confere maior credibilidade ao seu papel de homem de direita. Porque toda a gente sabe que quem usa o cabelinho à fod... (ai, desculpem, que isto é um blog familiar) são queques de esquerda, mas só para contrariar os pais.

A política e as classes sociais são tão lineares, tão preto e branco, não são?

Johnny, tens o meu respeito de volta, pá!

Uh, ainda há vinho!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:26



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Ninguém percebe o Leonardo. A Mona Lisa nao estava a sorrir, estava com gases. É o primeiro registo de arte escatológica.

E-mail
Facebook
No Twitter

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D


Links

Outros Gases



Favoritos