Domingo, 30 de Setembro de 2007

Preparados?!

A National Geographic (NG) deste mês dá-nos conta de provas das alterações climáticas, sob a forma do desaparecimento do gelo do árctico.

Até agora eu tinha andado a evitar este assunto, provavelmente não pelas melhores razões. Aliás, há dois ou três temas nos quais não toco e não é por não me despertarem interesse. Mas isto agora não é para aqui chamado.

Tenho andado a evitar o assunto das alterações climáticas, pois é algo que desde muito cedo tenho presente e faz-me confusão que agora ande tudo doido, em redor do assunto. Com aquela história do Live Earth, toda a gente que é gente, achou por bem começar a defender acérrimamente o ambiente. Isso é bom. Só me faz confusão que a maior parte deles não faça a menor ideia do que está a falar! Lembro-me de ter visto, durante a transmissão desses concertos(que ironicamente, veio a descobrir-se, por si só eram uma fonte assustadora de emissão de gases puloentes) uma mensagem que dizia algo como isto: " Vamos salvar a terra para termos ar para respirar!". Hello??? Oh pá, não lido bem com pessoal que abraça causas e ideologias só porque estão na moda! Fico mesmo doida! Eu sei bem porque é que me interesso por isto. É porque sempre tive bons professores das ciências, atentos ao que se passa e sempre estive, bem ou mal, inserida na comunidade científica, devido ao meu percurso académico.

Mas embirrações à parte, a reportagem da National Geographic veio stressar aquilo que já há muito se sabe mas também muitos teimam em ignorar: As calotes de gelo do Árctico estão a desaparecer a velocidades bem mais elevadas do que o que se pensava ser possível. Já toda a gente viu fotografias do antes e depois, que ilustram o recuo do gelo, em determinadas áreas. Já se admite que, em breve, as zonas polares poderão passar a estar cobertas de gelo, apenas no período do Inverno. 

Isto implica uma série de questões que não se restringem apenas ao desaparecimento das paisagens geladas que, desde sempre, intrigaram e alimentaram a imaginação dos homens. O desaparecimento deste gelo implica também o desaparecimento da fauna polar, sendo que um dos seus membros mais mediáticos, é o urso polar. A NG conta que estes seres, já têm de percorrer distâncias quase impraticáveis para se moverem de calote em calote, uma vez que o aquecimento global está a provocar fracturas nestas enormes massas de gelo, o que acelera o seu derretimento.

A continuar assim, não só veremos desaparecer a fauna polar como veremos subir os níveis médios das águas do mar, a erosão e desaparecimento de áreas costeiras (lembrem-se da Caparica!) e assistiremos, paradoxalmente, a um diminuir da temperatura média das águas do mar, que levará a mais uma série de distúrbios.

O que realmente me chateia, é o facto de andar meia comunidade científica a tentar convencer uns quantos ignorantes, que se demitem de admitir que o estilo de vida altamente industrializado não se coaduna com a salvação do planeta e que há que fazer alguns sacrifícios se ainda quisermos morar por cá, nos próximos séculos.

Bush, homem, sabes que és um dos meus preferidos. Meu e do Jon Stewart! Faz um favor: pede a alguém que te traduza isto e assina o Quioto!  

Enfim, agora vocês podem perguntar: mas de onde é que veio isto hoje? Passou-se!

Claro que, como em tudo, há uma razão. Anda a chover como o caraças! Eu gosto de chuva, como já devem ter reparado! Mas começou agora a dar o Telejornal e a Judite de Sousa acabou de mostrar as imagens de Sacavém submersa! Debaixo de um metro e tal de água! É que Sacavém fica a vinte minutos daqui! Não me caiu lá muito bem!

Se repararmos, se for preciso convencer alguém de que estamos mesmo a atravessar um período de alterações climáticas com efeitos potencialmente devastadores, é só trazê-los a Portugal. É que nós cá temos de tudo. Senão veja-se: há dois anos atrás, no Verão, esgotámos quase as reservas de água das albufeiras, porque não tinha chovido grande coisa no Inverno anterior. Morreram imensos bichos no Alentejo porque não tinham água para beber nem erva para pastar. No ano passado e há dois anos, nevou em Lisboa. Não, não foi um mito. Eu atirei uma bola de neve ao cão do vizinho! Este ano, ainda não tivemos um Verão propriamente dito, não têm havido ondas de calor mas chove descomunalmente, durante 15 minutos, ao ponto de ficar tudo debaixo de água. Isto tem um nome. Quando chove assim muito, mas durante pouco tempo e nem sequer está muito frio, normalmente estamos nos trópicos e não em Portugal! Então esperem: será que os climas temperados, como é o caso do nosso, estão lentamente a adquirir características tropicais, até se transformarem em.... CLIMAS TROPICAIS? Ta dah!!!

A sério, desculpem lá isto, sei que me estiquei um bocadinho no tamanho do post mas como devem ter reparado, isto é uma questão sensível para mim e quando me irrito, como efeito secundário, não me calo!

Enfim, espero que nenhum dos habitués aqui do estaminé se encontre, de momento, debaixo de água e lembrem-se: estamos a morar no tubo de ensaio do universo! Nunca se sabe o que vai acontecer amanhã!                      

                                           

sinto-me:

publicado por A Mona Lisa tinha Gases às 19:39
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Ninguém percebe o Leonardo. A Mona Lisa nao estava a sorrir, estava com gases. É o primeiro registo de arte escatológica.

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