Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Doctor, doctor, give me a clue

Eu conheço alguns delegados de informação médica.

São pessoas com bom aspecto, bem vestidas, bem falantes e andam sempre com uns presentes giríssimos atrás. Cá em casa tenho um monóculo muito parecido com este,

 

 

tenho uma data de canetas todas xpto, e mais umas quantas coisas que agora não recordo.

E como é a vida de um delegado de informação médica? Bem, para começar, e pelo que me contam, sofrem horrores a aturar os médicos. Porque há médicos muito parvos, como em todo o lado, não vá alguém pensar que eles são alguma coisa de especial em relação a todos os outros comuns mortais.

Os delegados chegam a passar horas à espera que um médico lhes preste 5 minutos de atenção. E quando isso acontece, ocorre um género de dança de acasalamento: o delegado apresenta o produto ou produtos que lhe interessa mostrar, o médico mostra-se desinteressado e o delegado mostra-lhe os presentes (que no mundo animal equivale a um pavão mostrar a cauda).

Diz-se por aí que há médicos que trabalham por objectivos, se atingirem a venda de X caixas do produto Y por mês ganham uma viagem ou qualquer outra coisinha boa. Mas isso não posso confirmar e pode muito bem ser apenas um rumor.

Mas vamos pensar: não será estranho que alguns médicos passem sempre o mesmo medicamento? Quando muitas vezes já estão disponíveis alternativas mais eficazes e mais em conta?

Não será estranho que muitos médicos nunca tenham receitado um genérico? E que tranquem sempre a receita para que essa hipótese não possa sequer ser cogitada?

Na semana passada andava tudo doido porque as farmácias estavam a aconselhar às pessoas que levassem o genérico mais barato em alternativa ao medicamento receitado.

Depois de alguém fazer queixinhas, lá veio a senhora Ministra da Saúde dizer que as farmácias não podiam fazer isso e que a comparticipação do estado não seria paga àquelas que o continuassem a fazer.

Sim, porque a Ministra da Saúde tem perfeita consciência do que se passa todos os dias nas farmácias portuguesas. Ela sabe, de certeza, que há pessoas que acabam por não comprar os medicamentos que lhes receitam porque são demasiado caros.

Ou, se calhar, a senhora Ministra da Saúde, como é médica, sabe é perfeitamente o que está por trás de tudo isto e quer continuar a proporcionar a viagenzita aos seus ex-colegas. Ai, não, que isto é um rumor!

A justificação dada foi que tem que ser respeitada a vontade do médico prescritor mas que o governo continua empenhado em fomentar a utilização desses medicamentos.

Pois.

Porque o governo sabe que um genérico é um medicamento igual ao de marca, com os mesmos princípios activos, com a mesma eficácia, extremamente controlado pelas autoridades competentes, mas no qual não pagamos a marca. Na maior parte dos países da Europa, são utilizados numa percentagem esmagadora em relação à portuguesa.

Compro muitas vezes o genérico na farmácia. Quando o médico me tranca a receita pergunto qual o preço do genérico sem comparticipação e o preço do medicamento de marca com comparticipação. Às vezes, mesmo assim o genérico é mais barato. E lá gasto eu menos uns trocos...

Lá por eles serem médicos, não quer dizer que nós tenhamos que ser tolos, não é?


publicado por A Mona Lisa tinha Gases às 10:08
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Parvoíces farmacológicas...

Há pessoas muito parvas! Mas isso vocês já sabiam...

Aqui na minha zona, há três ou quatro farmácias a que recorro quando é preciso. Duas delas são geridas ou têm empregados, muito estranhos.

Passo a explicar: a farmácia X fica numa ruazinha simpática, ao lado de um cabeleireiro e de uma clínica veterinária e tem estacionamento privativo. Ao balcão encontramos sempre as mesmas quatro ou cinco pessoas, incluindo a dona da farmácia. Todos eles, incluindo uma farmacêutica que entrou há pouco tempo, são de uma simpatia extrema. Mesmo. A atirar para o macabro! Palpita-me que deve ser alguma coisa no ar. Os clientes, e calculo que sejam todos, são recebidos como amigos de quem se sente falta e há espaço para a piadola e o gozo. Sempre com enorme respeito, refira-se. Mas são simpáticos demais... 

Se pensarmos, é assim que devia ser em todos os locais de atendimento ao público. Mas o povo português está tão habituado a encontrar bestas atrás de um balcão que até estranha!

Por falar em bestas, a farmácia Y situa-se a escassos dois ou três quilómetros da farmácia X. Fica situada numa rua que é uma dor de cabeça para encontrar estacionamento a qualquer hora do dia, por baixo de um prédio residencial. Sempre fui mais ou menos bem atendida nesta farmácia. Há duas senhoras extremamente simpáticas e atenciosas, há uma que se engole e há outra que é um bocado parva mas eu sei bem lidar com essa gente, por isso até me dá vontade de rir. Claro que eu nunca tinha sido atendida pela dona da farmácia Y , pois como calculam, não passo a vida a caminho de lá, como os pobres velhinhos que entopem aquele antro entre as 9 e as 11 da manhã.

Mas já a tinha visto em acção. Aqui há uns meses atrás, estava eu na fila e a dona da farmácia estava a atender uma velhinha que queria saber o preço de uma caixa de aspirinas. Quando a besta lhe respondeu, a pobre senhora perguntou se não tinha desconto. Coitados, eles sabem lá. A besta respondeu-lhe, após uma daquelas gargalhadas maquiavélicas que associamos aos vilões dos desenhos animados, que não.

Aquilo caiu-me tão mal. Antes de conseguir reagir já a senhora se tinha ido embora. Era claramente uma daquelas velhinhas, com um reforma miserável, como são quase todos. Mas uma verdadeira besta não se condói.

Ontem foi a minha vez. Esperamos sempre que este tipo de pessoas saibam distinguir entre quem podem pisar porque não têm capacidade de resposta ou não se querem chatear, e quem não podem. Mas não. A mulher além do mais, é burra!

Eis a nossa conversa:

EU: Bom dia.

BESTA: ...

EU: (Pausa) Bom dia.

BESTA (Pausa. Estende a mão para receber a receita) ...

EU: (Tom alto) BOM DIA!!

(BESTA recua uns passos e fica a olhar para mim como se eu fosse a criatura mais mal-educada à face desta terra.)

BESTA: (Sussurra) Bom dia. 

(BESTA vai buscar os medicamentos, faz o pagamento e entrega-me o saco. Pausa.)

EU: Obrigada.

BESTA: ...

EU (Tom alto): Agradeça! Afinal de contas, eu acabei de vir deixar aqui o meu dinheiro! Isto é, quer queira pensar que sim ou não, um estabelecimento comercial. As pessoas que atendem ao público devem ter o mínimo de educação, pois caso contrário, há mais 4 farmácias na zona por onde escolher! Da próxima vez que eu cá meter o pézinho , se não obedecer a umas quantas regras de educação, peço o livro de reclamações! E se continuar a olhar para mim com essa arrogância toda ainda leva com ele em cima!

 

E virei costas. Sim, eu sei que exagerei! Mas eu ainda tinha o outro episódio gravado na mente e andava mortinha para meter aquele sucedâneo de gente no seu lugar. Provavelmente não volto a entrar lá mas por uma vez alguém disse àquela **** o que ela merecia ouvir!

Porque raio é que as pessoas têm tamanha necessidade de maltratar aqueles que consideram seus inferiores? E porquê, expliquem-me porque é que sequer se julgam superiores a quem quer que seja.  

sinto-me:

publicado por A Mona Lisa tinha Gases às 19:19
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Ninguém percebe o Leonardo. A Mona Lisa nao estava a sorrir, estava com gases. É o primeiro registo de arte escatológica.

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