Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

To be or not to be

Bem, o homem está doido, não está?

Não vejo outra explicação.

Então, forma-se a maior manifestação de sempre no país devido aos planos de subir a Segurança Social. Sim, porque o problema dos portugueses não era a redução da TSU das empresas. Com isso estávamos nós bem. Era a redução da TSU à custa do aumento da SS dos trabalhadores.

Então, o homem ameaça que vai subir a SS.

Quase 1 milhão de pessoas (!) sai à rua.

E o que é que ele faz? Deixa cair a hipótese que estava em cima da mesa e pondera taxar os subsídios e subir o IRS e sabe-se lá mais o quê...

O pessoal diz-lhe que isto está a ficar apertado e ele responde com um "desculpem lá, e se for só mais um bocadinho"...

Portanto, podemos assumir que o homem não está bom da cabeça, correcto?

É a única explicação plausível para continuar a cozinhar medidas que, no fundo, só vão levar a uma maior contracção económica e que, em última análise, nem sequer lhes vão garantir o tão almejado aumento da receita. Pelo contrário! Cortem-nos nos ordenados e nós compramos menos. Menos carros, menos imposto de circulação e menos imposto sobre os combustíveis.

Menos supermercado, menos IVA.

Menos tabaco, menos imposto sobre o tabaco.

Menos consumo, mais falências, mais gastos com subsídios de desemprego.

Os números confirmam-no. Mesmo que não fosse o trabalho deles saber de antemão estas coisas, os estudos mostram isso mesmo.

Como é que é possível, minha gente, que estes marmanjos imaginassem que a receita ia subir?

Por outro lado, cortes na despesa, por ora, nem vê-los.

Portanto, só podemos concluir uma de duas coisas. Ou o homem tem instintos suicidas ou não está mesmo bom da cabeça.

 

Eu gosto de Portugal.

A sério, acho que somos uns privilegiados. 

Temos uma costa lindíssima que nos proporciona praias a perder de vista e que enchem a vista. O cheiro do nosso mar não é igual a nenhum outro. Nas vilas pesqueiras come-se o peixe mais fresco e delicioso.

Além do mar, temos montanha. Rumamos a norte e o verde tem um impacto esmagador. Quem não se perdeu já nos trilhos do Gerês ou contemplou com espanto as cascatas e cachoeiras escondidas no Penedo Furado ou na Peneda?

Quem não encontra a calma sem igual nas planícies do Alentejo?

E as nossas ilhas, verdadeiros postais vivos?

Porra, temos um país lindo.

Às vezes, ao fim da tarde, no terraço lá de casa, sou confrontada com uma avassaladora explosão de vida. Águias, coelhos, garças e (pasmem-se) perdizes, fazem a sua vida à minha frente, a quinze minutos de Lisboa.

E nessas alturas, sou feliz. Há algo de mágico em convivermos de tão perto com a natureza, de tão perto com a prova que algumas coisas foram concebidas para serem perfeitas.

Nesses dias adormeço com o coração cheio.

E depois acordo e a realidade apaga tudo.

Eu adoro o meu país, mas não posso dizer que nutra muito afecto pelo que se passa cá. Pelas pessoas que "mandam" em nós.

Pela evidente falta de humanidade com que alguém decide que amanhã se calhar já não vamos poder comprar carne.

Ou que a vida se vai resumir a uma infindável viagem entre a casa e o trabalho, sem possibilidade de lazer, porque o lazer não cabe no orçamento.

Dou por mim a ser pressionada a sair. A ir embora. A reunir os animais e as trouxas e a meter-me num avião rumo ao outro lado do mundo.

E parte de mim repudia a possibilidade. 

Porque gosto das nossas praias e das nossas montanhas e da nossa comida e porque tenho demasiados amigos e familiares que ficariam cá tão longe. Afectos tão importantes e tão longínquos. A saudade, já dizia a Amália. É mesmo o pior, não é?

A parte de mim que repudia "fugir" é a mesma que quer lutar. Contra quem, pergunta-se. Com que armas? Manifestações, revoluções... Espera-se. Por alguma coisa, por alguma luz ao fundo de um túnel tão longo que imaginamos que termina do outro lado do mundo.

A outra parte de mim já não aguenta esperar. Nem lutar contra tropas invisíveis. A outra parte de mim ressente-se porque não a querem cá. Porque está farta de contar trocos e de assistir à corrupção que se pavoneia à nossa frente, e que passa incólume, pelas frestas da Justiça. Que já é quase normal e expectável.

A outra parte de mim quer rumar ao desconhecido. E fazer disso uma experiência rica e feliz.

 

Ficar ou partir?

Fugir ou lutar?

Ser portuguesa ou ser cidadã do mundo?

 

A vida é um binómio.

Especialmente nos dias que correm, neste rectângulo à beira-mar, em que o tempo se arrasta, vagaroso, sem aparente destino.

O Verão foi quente. Será o Inverno gélido?

 

 

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publicado por A Mona Lisa tinha Gases às 12:50
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Ninguém percebe o Leonardo. A Mona Lisa nao estava a sorrir, estava com gases. É o primeiro registo de arte escatológica.

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