Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Entretanto, no Serengueti

Manhã cinzenta, pouco convidativa a actividades que não incluam dormir.

Sigo atrás de um camião, enorme, vagaroso, que parece que também acabou de se levantar. Os meus bocejos enchem o habitáculo.

À frente, num cruzamento, vejo o camião a desviar-se para a esquerda, para a faixa de rodagem contrária. Muito lentamente, como num sonho.

Não percebo. Finalmente a razão: uma carrinha de caixa fechada havia invadido a faixa do camião, vinda da direita, onde habita um sinal de stop.

Olhar velho e cansado, boina enfiada na cabeça, deparo-me com o Marreta 5.0!

Esta espécie em franco desenvolvimento habita as estradas portuguesas e podemos considerá-la actualmente uma espécie invasora. Destrói todas as outras espécies que encontra e ocupa os seus nichos ecológicos. É uma grave ameaça à biodiversidade da estrada.

Siderada, perante a visão de tão espectacular espécime, permito que ocupe a minha faixa, à minha frente. Marreta 5.0, que entretanto havia parado, arranca vagarosamente, encostado à direita. Demasiado encostado, parece-me. O ar da manhã é rasgado pelo som do metal em sofrimento. Do lado esquerdo da carrinha vêem-se faíscas, um verdadeiro espectáculo de luz proporcionado pelas jantes.

Jackpot!

Não só me deparo com um Marreta 5.0, como me parece que encontrei o Rei deles. É um dia de sorte. Não é frequente encontrarmos um elemento desta espécie tão disposto a revelar-nos tantos dos rituais que a caracterizam.

Mais à frente, no cruzamento seguinte, semáforo com um estridente vermelho. Preparo-me em antecipação. Marreta 5.0 não pára no sinal, pára um pouco mais à frente, bem no meio do cruzamento. O meu coração explode em felicidade. Como é que é possível não haver uma câmara de vídeo por perto quando estas coisas acontecem? Era a minha grande oportunidade de me tornar uma verdadeira documentadora da vida selvagem. A National Geographic seria doida se não me quisesse nos seus quadros!

Por fim, Marreta 5.0 arranca para longe de mim, para novas aventuras fora do meu alcance, longe dos meus olhos bem abertos em espanto.

Por minha parte, estou feliz. 

Sinto-me privilegiada por ter tido a oportunidade de observar tão grandiosa manifestação da natureza.

Longa vida ao Marreta 5.0, o rei das estradas portuguesas!


publicado por A Mona Lisa tinha Gases às 11:45
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Ninguém percebe o Leonardo. A Mona Lisa nao estava a sorrir, estava com gases. É o primeiro registo de arte escatológica.

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